Educador nota 10: uma aula que leva à lua

UM DOUTOR NA ESCOLA – Felipe Bandoni, destaque no prêmio Educador Nota 10: traduzindo ideias complexas (Claudio Gatti) – O bom exemplo do biólogo que despertou em jovens e adultos o interesse pela ciência ensinando astronomia – Matéria da Revista Veja, Ed. Abril, ed. 2292, ano 45, n. 43, 24 de outubro de 2012

“O biólogo Felipe Bandoni de Oliveira, 33 anos, integra um grupo raríssimo. Ele está entre o 0,08% dos professores do ensino fundamental brasileiro que enverniza o currículo com um título de doutor. Nascido no interior de São Paulo, Felipe especializou-se em genética, dedicando-se à investigação sobre a evolução do crânio dos macacos – pesquisa que o fez ficar imerso nos museus de história natural da Europa durante um ano. Voltou ao Brasil sabendo exatamente o que queria: retornar à sala de aula como professor de ciências, carreira que iniciou aos 23 anos inspirado na trajetória dos pais, um físico e uma psicóloga também docentes. Hoje à frente de classes noturnas no Colégio Santa Cruz, em São Paulo, ele lida com a complexidade de apresentar conceitos científicos a jovens e adultos de baixa renda nos anos finais do ensino fundamental. Não nivela a turma por baixo. Ao contrário: Felipe decidiu ensinar ali astronomia. Falou de Galileu, quebrou crenças levando à escola artigos de publicações respeitadas, projetou no teto da sala um céu estrelado em que se vê o movimento dos astros e proporcionou aos alunos uma experiência única: observar a Lua com um telescópio. “Atingi o meu objetivo de despertar o gosto pela ciência”, festeja.

Por esse trabalho, na semana passada ele recebeu o prêmio Educador Nota 10, concedido pela Fundação Victor Civita a dez professores do ensino básico e a um diretor de escola. Felipe foi o destaque do grupo. Suas lições reforçam a ideia de que não é preciso nada de muito mirabolante para dar uma boa aula, só o básico: que o professor domine o assunto e consiga traduzi-lo com o mesmo entusiasmo que espera ver em seus alunos. Fazer isso numa turma que volta a estudar na idade adulta, com tantas lacunas acumuladas, reforça seu mérito. No Brasil, há 5 milhões de jovens e adultos matriculados na escola. Seu retorno à sala de aula é bem-vindo num país onde quase um terço da população acima de 15 anos não consegue depreender o significado de um texto simples. Entre os jovens, metade não conclui o ensino médio. “Com mais estudo e treinamento profissionalizante, eles podem ajudar a resolver o apagão de mão de obra brasileiro”, diz o especialista Bruno Novelli, da ONG AlfaSol. O exemplo do biólogo Felipe Bandoni aponta o caminho.”

Matéria da Revista Veja, Ed. Abril, ed. 2292, ano 45, n. 43, 24 de outubro de 2012 – Educador Nota 10: uma aula que leva à Lua, por Gabriele Jimenez

Anúncios
Esse post foi publicado em - curiosidades, Astronomia e marcado , , , , , . Guardar link permanente.

4 respostas para Educador nota 10: uma aula que leva à lua

  1. shay disse:

    por que o verbo despertou no subtitulo esta na 3 pessoa do singular e nao na 3 pessoa do plural?

  2. Oi! Obrigado pelo comentário!
    Em resposta à pergunta: o verbo “despertou” está na 3ª pessoa do singular porque está concordando com o sujeito da ação, que, no caso, é o “biólogo”.

  3. dyzy martins disse:

    Po que na frase “atingi o meu objetivo de despertar o gosto pela ciência”o verbo sublinhado esta na 1 pessoa do singular?

  4. Beatriz Lohayne disse:

    Por que na frase “atingi o meu objetivo de despertar o gosto pela ciência”o verbo sublinhado esta na 1 pessoa do singular?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s