Morre no Recife, aos 87 anos, o escritor Ariano Suassuna

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Ariano Suassuna (1927 – 2014) foi um poeta, romancista e dramaturgo brasileiro.

A cultura brasileira está de luto! Morreu no Recife, na quarta-feira, 23 de julho de 2014, o escritor, dramaturgo e poeta Ariano Suassuna, aos 87 anos. Ele estava internado desde a noite de segunda, 21 de julho, no Hospital Português, mas teve uma parada cardíaca.

Ariano Suassuna (1927 – 2014) nasceu na cidade de Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa, capital da Paraíba, no dia 16 de junho de 1927. Em 1938, aos 11 (onze) anos, Ariano e sua família foram morar no Recife, onde Ariano ingressou no Colégio Americano Batista e, em seguida, estudou no Ginásio Pernambucano, importante colégio da cidade.

Em 1946, aos 19 (dezenove) anos, Ariano entrou para a Faculdade de Direito, ligando-se ao círculo de poetas, escritores e artistas da capital pernambucana, onde fundaram o Teatro do Estudante de Pernambuco.

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Teatro do Estudante de Pernambuco (1948), com Ariano Suassuna, Joel Pontes e outros.

Em 1952, aos 25 (vinte e cinco) anos, Ariano começou a trabalhar como advogado, mas logo abandonou a profissão, dedicando-se ao magistério e à atividade de escritor.

Autor de extensa obra, entre elas, os romances “O Auto da Compadecida” (1955), obra que mais tarde seria adaptada para o cinema e para a televisão, “O Santo e a Porca” (1958), “A Pena e a Lei” (1971) e o “Romance d’a Pedra do Reino” (1971), obra também adaptada para a televisão.

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Algumas das obras de Ariano Suassuna. “O Auto da Compadecida” é o mais famoso de seus romances.

O romance o “Auto da Compadecida” enquadra-se na tradição medieval dos Milagres de Nossa Senhora (do século XIV), em que numa história mais ou menos profana, o herói em dificuldades apela para Nossa Senhora. O estilo é simples, onde o humor e a sátira unem-se num tom caricatural, porém com sentido moralizante. Ariano traz uma visão cristã sem se aprofundar em discussões teológicas, denunciando a corrução, o preconceito e a hipocrisia.

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“O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, foi adaptado para o cinema em 2010.

No cinema, Matheus Natchergaele deu vida ao “João Grilo”, um sertanejo pobre e mentiroso, enquanto Selton Mello interpretou o “Chicó”, o mais covarde dos homens. Ambos lutam pelo pão de cada dia e atravessam por vários episódios, enganando a todos do pequeno vilarejo de Taperoá, no sertão da Paraíba. A salvação da dupla acontece com a aparição da Nossa Senhora (Fernanda Montenegro). A direção foi do pernambucano Guel Arraes. Confira o trailer:

Ariano Suassuna foi membro fundador do Conselho Federal de Cultura (1967); nomeado, pelo Reitor Murilo Guimarães, diretor do Departamento de Extensão Cultural da Universidade Federal de Pernambuco (1969). Ligado diretamente à cultura, iniciou em 1970 o “Movimento Armorial”, interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais.

Ariano foi secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, no Governo Miguel Arraes (1994-1998), membro da Academia Paraibana de Letras (APL/PB), Academia Pernambucana de Letras (APL/PE) e da Academia Brasileira de Letras (ABL). Em 2004, com o apoio da ABL, a Trinca Filmes produziu o documentário “O Sertão: Mundo de Ariano Suassuna”, dirigido por Douglas Machado.

Depois de 38 anos, Ariano se aposentou e se dedicou a ministrar aulas-espetáculo, formato em que ele aproveitava para contar histórias, defender a cultura popular, fazer críticas e elogios. Com as apresentações, percorreu teatros, escolas, congressos e centros culturais do país inteiro, às vezes acompanhado de uma trupe de músicos e dançarinos, outras vezes sozinho.

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Ao se aposentar, Ariano Suassuna passou a realizar aulas espetáculos em todo o Brasil.

Algumas frases de Ariano Suassuna:

“A massificação procura baixar a qualidade artística para a altura do gosto médio. Em arte, o gosto médio é mais prejudicial do que o mau gosto… Nunca vi um gênio com gosto médio.”

“Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa.”

“Eu digo sempre que das três virtudes teologais chamadas, eu sou fraco na fé e fraco na qualidade, só me resta a esperança. Eu sou o homem da esperança.”

“Não troco o meu “oxente” pelo “ok” de ninguém!”

“Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre.
(Em: O Auto da Compadecida)”

Confira a aula espetáculo de Ariano Suassuna realizada em junho de 2013 no Teatro Nacional de Brasília:

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