O Marciano Que Invadiu a Paraíba Pra Roubar a Rapadura

O Marciano que Invadiu a Paraíba pra Roubar Rapadura

O Marciano Que Invadiu a Paraíba Pra Roubar a Rapadura (Vicente Campos Filho).

Quem já ouviu falar de literatura de cordel? Conhecido como folheto, é um gênero literário popular escrito frequentemente na forma rimada, originado em relatos orais e depois impresso em folhetos. Na história de hoje, temos um Marciano que invadiu a Terra para roubar rapadura. O texto é de Vicente Campos Filho.

Tava eu fumando quieto
Na sombra do juazeiro
Quando vi aquela coisa
Descer do céu bem ligeiro
Parecia um dragão
Cuspindo fogo no chão
Fez aquele reboliço
Dei um pulo tão danado
Pensei: ‘É malassombrado
Valei-me meu Padrim Ciço’

Pois é! Os norte-americanos da NASA, que tanto procuraram vida além da Terra com suas sondas espaciais e poderosos telescópios, tiveram que se contentar em ver o grande encontro de humanos e alienígenas acontecer no Nordeste do Brasil, mais precisamente na Paraíba. Mas a conversa não foi lá muito amistosa. O extraterrestre desceu da nave e foi logo ameaçando:

Eu vim do planeta Marte
Onde acabou-se a comida
Lá de cima a Paraíba
Foi a terra escolhida
Me mandaram em missão
Disseram que desse chão
Sai a comida mais forte
Mais gostosa e mais pura
Vou levar sua rapadura
E se não der vai ter morte

O marciano então correu até o rancho do paraibano e começou a devorar aos montes o estoque de rapadura. Os dois entraram numa briga, mas o pobre homem não tinha forças para derrotar o marciano. Aliás, de tanto se lambuzar com a rapadura, o extraterrestre chegou a soltar flatulências indesejadas.

Mas quando agarrei no rabo
Do jeito do planejado
Ele soltou uma bufa
Que eu fiquei desnorteado
A bufa do infeliz
Acertou no meu nariz
Com uma intensidade
Que eu fiquei só girando
Uns três minutos rodando
Em busca de identidade

Na desvantagem, o homem teve uma brilhante ideia. Para acompanhar aquela comilança só faltava a bebida. Então, num gesto de trégua entre os dois, o homem ofereceu uma pinga ao alienígena. Mas, na verdade, era a cachaça mais forte da região, capaz de derrubar qualquer valentão, inclusive vindo de outro planeta.

Eu só não disse pra ele
Que a cachaça era um forno
Conhecida pelo nome
Rasga-Rabo, Amansa-Corno
Fui buscar o garrafão
Ele tomou da minha mão
Bebeu tudo de um gole
E girando o cabeção
Qual coruja no mourão
Ficou caindo de mole.s.

Foi então que o marciano ficou completamente bêbado e o paraibano aproveitou o momento para despachar o invasor.

Deixei-o de quatro pé
Na porta de seu transporte
Disse: ‘Agora vamos ver
Se esse sujeito é forte’
(…)
Fez a nave ir pra riba
Saiu fazendo uma jura:
‘Nem por toda a rapadura
Não volto na Paraíba’

—————————————
Texto baseado na obra de Vicente Campos Filho, O Marciano que Invadiu a Paraíba pra Roubar Rapadura“. Contatos: http://www.vicentecamposfilho.blogspot.com / E-mail: vicenteffilho2@yahoo.com.br / Fone: (83)8839.8020, 9919-3972.

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